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Durante la década de los 80 Simone fue una de las mayores vendedoras de discos en Brasil, sólo detrás de Roberto Carlos. Ese dato, por si sólo, explica algunos roces y choques, por sobreexposición, con la prensa y algunos otros artistas. El vuelco definitivo hacia la canción “romántica” y el romance incondicional establecido con su público, fueron motivo de una serie de calificativos tales como“demagoga”, “comercial” y “vulgar”.

¿Hay algo de cierto en todo eso?

Bueno, si y no.

Si, porque los discos desde 1982 en adelante comienzan a ser francamente fofos. También su vuelco hacia la canción romántica la alejó de asumir nuevos riesgos artísticos. Y es un no, porque sus shows siguieron teniendo una potencia única, porque sus interpretaciones mantuvieron su “marca registrada”, lo que no es poco para una cantante, y porque su repertorio seguiría repleto de perlas, disco tras disco.

Así que para quienes somos parte de sus seguidores incondicionales, defender los 80 es un verdadero sacerdocio y una obligación!.

“Delirios e Delicias” (1983) es el nuevo disco. ¿Es malo? Sus críticas, al momento de su aparición, fueron bastante buenas. Siempre lo consideré un disco poco valioso. De tanto escucharlo, y con el paso del tiempo, creo que no está tan mal, aunque de primera, uno no se enamora de él. Vuelve a incluir, como en anteriores discos, un tema en español, en este cao, el bolero “Contigo aprendí” de Amando Manzanero. A pesar de su vuelco intenso hacia el bolero, no logró convencer a su grabadora de concretar un disco dedicado íntegramente a ese género. Luego, en los 90, estallaría en la canción latinoamericana un resurgimiento del genero de la mano de nuevos interpretes, recordemos el suceso de los discos de Luis Miguel, por ejemplo.
En los 80, sólo Pablo Milanés, dentro de esa generación de interprets, publicó discos íntegramente dedicados al bolero o feelin. Desde 1982 hasta 1994 publicó 6 discos dedicados a ese género.

Pero el disco es sólo una buena excusa. El plato fuerte estuvo en su show de presentación, “Delirios, Delicias”.

Primero que nada, vamos a una canción no grabada en ningún disco suyo hasta ese momento pero que era muy frecuente en sus shows, “Cacador de mim”.

Durante los meses de noviembre y diciembre de 1983 se realizaron los shows, fueron varias semanas con un promedio de 10.000 a 15.000 personas. El video pertenece a esos shows realizados en el gimnasio de Ibirapuera (San Pablo) de un especial de fin de año emitido el 30/12/83 por la Red O Globo.

El show está muy bien, pero lo controversial, era la parte, vamos a llamar “sensual” del mismo, el que se desarrollaba en una cama en el centro mismo del escenario. Esto desató furias y pasiones.

“Mas a semelhança com Roberto termina quando começa a parte mais malandrinha do show. Lembrando os melhores momentos de Gretchen (para quem não conhece, a rainha do erotismo explícito da ala brega da MPB). Simone ilustra Paixão, sucesso de Kleiton e Kledir, com uma surpreendente simulação de masturbação. Lindamente deitada sobre uma porção de almofadas cor-de-rosa gravadas com o nome dela, Simone desliza a mão pelo próprio corpo até fazê-la chegar onde se pode imaginar. O público, liberado em seu atrevimento, não resiste e viaja com ela, devolvendo gritos e gemidos em coro. E Simone arremata com Depois das Dez cavalgando numa almofada, que depois é lançada para a platéia – certamente, um prêmio por tanta fidelidade desde que ela disparou no mercado fonográfico, há cinco anos.
Seria cômico, se não fosse cafona. E, dado o potencial de Simone, poderia ser nem uma coisa nem outra – mas apenas um bom show de uma grande artista, como há muito não se vê. No entanto, em contrapartida aos belos arranjos e ao clima sempre envolvente das canções, até os cenários são de um gosto constrangedor, com painéis que chegam a exibir um insólito mosaico de flores. Se a gente fecha os olhos, porém, percebe uma cantora que mostra o melhor de si em doses generosas – embora esteja procurando perigo quando tenta jazzificar-se em Caçador de Mim. Sem dúvida, o disco (Delírios e Delícias) supera o espetáculo – mas a verdade é que os fãs de Simone já não querem reconhecer apenas seu talento. Querem também a provocação, sem sutilezas”.
Fragmento de Rosângela Petta, As traças da paixão, Isto É, 7 de dezembro de 1983

El delirio de estos tramos del show generó controversias en la cadena O Globo que debía transmitir por TV en horario central para una audiencia de millones de espectadores. Aquí otro tema fuera del disco, este pertenece a Lulu Santos y es el que da inicio al controversial segmento.

El nombre de Simone estaba demasiado relacionado en los medios a las cifras millonarias de recaudación, algo bastante desagradable. Demasiadas crónicas se publicaban sobre cuantos discos vendía, cuantos espectadores asistían a sus shows, lo que costaban esos shows, sus contratos, etc. Algo que, por ejemplo, en Roberto Carlos era tomado con total naturalidad, no era lo mismo con Simone.

De Milton Nascimento, “Cancao da Amërica”, tampoco incluida en el disco.

Algunos meses después, en agosto de 1984, haría su primera visita a la Argentina como figura, ya que nteriormente había estado en nuestro país acompañando a Vinicius de Moraes. En plena primavera alfonsinista, Simone cantó en Obras, uno de sus shows lo registró Canal 7 (ATC entonces) y se puede ver aqui. De este show puse ya algunas cosas en varias entradas anteriores, al final de ésta, va el arranque y cierre del Obras.
   
Final del show “Delirios, delicias”  con un clásico del disco, “O amanha” , y el reclamo del movimiento “Direitas Ja!” por las elecciones directas para la presidencia de Brasil, hasta ese momento, bajo la tutela de las Fuerzas Armadas sobre el Congreso.

SÃO PAULO FAZ O MAIOR COMÍCIO
Publicado na Folha de S.Paulo, terça-feira, 17 de abril de 1984



Mais de um milhão de pessoas em silêncio, mãos entrelaçadas, braços para cima. Ao sinal do maestro Benito Juarez, da Orquestra Sinfônica de Campinas, a multidão cantou o Hino Nacional. Do céu caía papel picado, papel amarelo, a cor das diretas, brilhando à luz dos holofotes. No Vale do Anhangabaú, muita gente chorou.
Houve outros momentos de emoções na maior manifestação popular já ocorrida no Brasil: houve choro quando chegou ao palanque um gigantesco boneco do senador Teotônio Vilela, ao som do “Menestrel das Alagoas”; quando a Sinfônica de Campinas tocou a Quinta Sinfonia de Beethoven, cujo prefixo iniciava os noticiosos da BBC durante a guerra contra o nazismo; quando a Corporação Musical Artur Giambelli, de Limeira, tocou o “Cisne Branco”, hino da Marinha de Guerra.
Mas a alegria superou o choro. Enquanto a passeata avançava pelo centro da cidade, pequenos grupos se destacavam e dançavam forró, faziam humor (“Figueiredo para ex-presidente”, dizia um cartaz: “Pois eu prefiro cheiro de cavalo”, lembrava outro), puxavam novas palavras de ordem: “Não, não, não/ao colégio do João”. Em nome da festa das diretas, os professores se privaram de vaiar o governador Franco Montoro; PT e PMDB evitaram a costumeira troca de estocadas e trabalham juntos na organização da passeata; PCB, PC do B e MR-8 aceitaram pacificamente uma escala de oradores que não os incluía. image
Quantas pessoas foram à passeata? Montoro falou em quase dois milhões, Osmar Santos anunciou 1 milhão e 700 mil, a PM calculou 1 milhão e meio , o secretário do Planejamento da Prefeitura, Jorge Wilheim, cita 1 milhão, o repórter Clóvis Rossi (ex-correspondente da “Folha” em Buenos Aires), comparando a manifestação com o último comício de Raul Alfonsin, não acredita em mais de 800 mil. Não importa: o que vale é que jamais houve concentração desse nível – e sem nenhum incidente a prejudicá-la, nenhuma briga, nenhum batedor de carteira, nenhuma ocorrência policial sequer, a multidão unida na alegria, na emoção e na luta pelas diretas (e, ainda por cima, qualquer dos números citados é maior e mais expressivo do que 686, número de integrantes do Colégio Eleitoral). O leitor pede fazer as contas: quantos de seus conhecidos foram à passeata?
A multidão em marcha lotou a Sé, a Benjamim Constant, o Viaduto do Chá, a praça Ramos, a Conselheiro Crispiniano, a São João, o Anhangabaú; muitos bares do caminho ficaram abertos e não tiveram problemas – apenas lucros. Além dos adversários naturais – o Colégio, os candidatos indiretos, o governo – só se hostilizou um alvo: a Rede Globo de Televisão, que preparou um esquema-monstro de cobertura. “O povo não é bobo/fora Rede Globo” foi o slogan mais utilizado.
A vítima favorita, porém, foi o Colégio Eleitoral. Lula se transformou no orador mais aplaudido da noite ao afirmar, em resposta ao general Rubem Ludwig, que aquela manifestação não era baderna: “Baderna é o Colégio Eleitoral”.
Às 20h30, no horário do final do comício, o presidente Figueiredo surgia em rede nacional de TV para anunciar sua proposta: diretas mais tarde, em 1988. O delegado Romeu Tuma, da Polícia Federal, informava Brasília de que “o verde do Anhangabaú foi coberto pelo vermelho das bandeiras dos partidos de esquerda”. E, enquanto a multidão se retirava calmamente, os fogos de artifício escreviam no céu de São Paulo a mensagem do comício: “Diretas, já”.

Canal 7 – agosto 1984 – Obras

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Written by Juan Echeverria